A Liga: chovendo no molhado, mas com uma núvem um pouquinho diferente

Quando vi as primeiras chamadas do já não tão novo programa da Banda “A Liga” imaginei que vinha aí mais um humorístico. Felizmente, estava enganado.

Se analisármos bem, o programa dá uma reinventada na roda, mas cumpre bem o seu papel. Os temas abordados até o momento não são inéditos, e na grande maioria nem um pouco originais, por isso digo que estão chovendo no molhado.

Já quando falo em uma núvem diferente, me refiro a forma como eles nos apresentam os assuntos. O grande mote é proporcionar aos seus apresentadores a vivência de situações inimagináveis em seus cotidianos (coisa que o Goulart de Andrade sempre fez desde 1900 e bolinha) mas de uma forma dinâmica e sem a impressão de lição de moral ou assistencialismo.

O fato de mostrar o sempre tão irônico Rafinha Bastos tendo de sofrer na pele de um mendigo ou até mesmo desfilando nú por uma comunidade naturista também traz o interesse do público e a sensação de que qualquer pessoa, tendo a personalidade que for, tem o dever de conhecer o que acontece ao seu redor. Essa curiosidade em ver o elenco passando por poucas e boas prova que nada melhor do que explorar o desconhecido – ou negligenciado – na segurança de nossos lares.

Eliminar o microfone de mão, que na minha humilde opinião representa um elo do entrevistador com sua realidade, também aproxima os reporteres (ou aventureiros) daquilo que estão apresentando, tirando-os do papel de ligação entre os fatos e o telespectador, e tornando-os parte da história.

Com tudo o que posso ver, concluo que, mesmo usando uma fórmula já conhecida, porém com alguns ingredientes a mais, o A Liga vale a pena. O brasileiro, que gosta tanto de antiguidades com o Raul Gil e Silvio Santos, deve prestigiar o programa. Se é pra dar audiência pra programas com um cheirinho de naftalina, é melhor que sejam esses que, ao menos, apresentam qualidade.

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Déf Lima  (678 Posts)

Avassalador, um cara interessante com um coração que cabe uma penteadeira. Que dó, que dó, sonha em ser Personalidade da Mídia e não vê a hora de Friday chegar.