Quando vi as primeiras chamadas do já não tão novo programa da Banda “A Liga” imaginei que vinha aí mais um humorístico. Felizmente, estava enganado.
Se analisármos bem, o programa dá uma reinventada na roda, mas cumpre bem o seu papel. Os temas abordados até o momento não são inéditos, e na grande maioria nem um pouco originais, por isso digo que estão chovendo no molhado.
Já quando falo em uma núvem diferente, me refiro a forma como eles nos apresentam os assuntos. O grande mote é proporcionar aos seus apresentadores a vivência de situações inimagináveis em seus cotidianos (coisa que o Goulart de Andrade sempre fez desde 1900 e bolinha) mas de uma forma dinâmica e sem a impressão de lição de moral ou assistencialismo.
O fato de mostrar o sempre tão irônico Rafinha Bastos tendo de sofrer na pele de um mendigo ou até mesmo desfilando nú por uma comunidade naturista também traz o interesse do público e a sensação de que qualquer pessoa, tendo a personalidade que for, tem o dever de conhecer o que acontece ao seu redor. Essa curiosidade em ver o elenco passando por poucas e boas prova que nada melhor do que explorar o desconhecido – ou negligenciado – na segurança de nossos lares.
Eliminar o microfone de mão, que na minha humilde opinião representa um elo do entrevistador com sua realidade, também aproxima os reporteres (ou aventureiros) daquilo que estão apresentando, tirando-os do papel de ligação entre os fatos e o telespectador, e tornando-os parte da história.
Com tudo o que posso ver, concluo que, mesmo usando uma fórmula já conhecida, porém com alguns ingredientes a mais, o A Liga vale a pena. O brasileiro, que gosta tanto de antiguidades com o Raul Gil e Silvio Santos, deve prestigiar o programa. Se é pra dar audiência pra programas com um cheirinho de naftalina, é melhor que sejam esses que, ao menos, apresentam qualidade.










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